Meu Percurso


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Trajetória Acadêmica
Psicanalista formado pelo Sedes Sapientiae – SP.
Doutor em Comunicação e Semiótica na PUC/SP com um ano de doutorado sanduíche na University College London (UCL).
Mestre em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM/SP.
MBA em gestão de Negócios - ITA / ESPM.
Pós Graduação em Comunicação com o Mercado – ESPM/SP.
Pós Graduação em Tecnologia Internet – COPPE/UFRJ
Graduação em Engenharia Eletrônica - USP.

Experiência Profissional
Psicanalista Clínico focado em jovens e adultos.
Professor de Comunicação e Consumo na ESPM.
Pesquisador das práticas comunicacionais e de consumo no universo infanto-juvenil.
Trajetória profissional desenvolvida nas áreas de Marketing, Marcas e Pesquisas de Mercado em empresas como Unilever, Mattel do Brasil e Vivo.


Meu Percurso

A escolha da graduação



Sou natural da cidade de Bebedouro, São Paulo. Aos dezesseis anos, fui estudar em Ribeirão Preto, também no interior de São Paulo, onde fiz o terceiro colegial e o cursinho, já que em minha cidade natal não existia, então, cursos preparatórios para o vestibular.

Meu desempenho escolar em Bebedouro foi sempre mais expressivo nas disciplinas na área de exatas. Sempre fui um bom aluno tanto em humanas como em biológicas, mas minhas notas em exatas eram bem superiores, o que me levou a acreditar que poderia ter uma carreira mais promissora numa profissão ligada a esta área.

Com isso, escolhi a Engenharia como minha primeira área de atuação profissional. Com o apoio dos professores do curso Anglo de Ribeirão Preto optei pela Engenharia Eletrônica, já que demonstrava interesse pela área de informática e de circuitos digitais, partes de um novo mundo que, na época, emergia como desafiador e sedutor. Prestei, então, vestibular em duas escolas: a USP de São Carlos e a UNESP de Ilha Solteira. Fui aprovado em ambas e optei por fazer meu curso em São Carlos, na EESC.


Da faculdade de Engenharia para o Marketing


            O curso de Engenharia Eletrônica em São Carlos tem duração de cinco anos. Trata-se de um curso em período integral, o que impede o aluno, até o quinto ano, de fazer estágio e de ter alguma experiência profissional. Entretanto, consegui adiantar algumas disciplinas nos primeiros anos de curso e isto me deixou livre para estágio dois dias da semana, a partir do início do quarto ano. A experiência de estagiário, nos dois últimos anos da faculdade, trouxe-me a certeza de que não pretendia atuar profissionalmente como engenheiro, apesar da promissora carreira que se despontava à minha frente. Embora tenha sempre reconhecido os méritos do curso, que, por suas características, exige do aluno um grande treinamento cognoscitivo e um grande desenvolvimento da capacidade de abstrair, para trabalhar com as teorias, os conceitos e os temas muitas vezes interdisciplinares, percebi que a prática profissional da engenharia estava pouco distante do que pretendia: desenvolver um trabalho mais reflexivo em relação à tecnologia e sua apropriação social, que começava a transformar o mundo, principalmente a vida social dos jovens.

Com a constatação de que não pretendia seguir carreira como engenheiro, tratei, após a formatura, de procurar uma alternativa em outra área. Surgiu, então, a oportunidade de entrar no programa de trainees de gerência das Indústrias Gessy Lever (atualmente Unilever), localizadas na cidade de São Paulo. Concorri a uma vaga e fui contratado. Passei pela longa maratona de dinâmicas de grupo, entrevistas e testes, até conseguir a vaga.

Depois de algum tempo como trainee em recursos humanos, pedi para ser transferido para a área de marketing, e meu pedido foi atendido. Trabalhei nessa área da Gessy Lever por três anos, até deixar a empresa para abrir um negócio próprio, na área de computação gráfica.

Meu desafio, nesse novo empreendimento, era conseguir transferir um estúdio de artes gráficas tradicional para o computador, que substituiria os aerógrafos, as artes finais, os pincéis e as fotocomposições. Isso foi feito com êxito em um ano de operação. A empresa obteve sucesso, e trabalhei, por seis anos, como produtor gráfico, help desk e administrador do próprio negócio.


Marketing de produtos para as crianças e marketing de produtos e serviços tecnológicos


Durante o tempo em que trabalhei com artes gráficas, a tecnologia na área de computação foi sendo cada vez mais incorporada à vida das pessoas. Minha hipótese dos anos 1980 de que esta começara a ser apropriada socialmente se confirmou. Computador não era mais um acessório a ser operado apenas por engenheiros. As empresas já investiam pesado em computadores de pequeno porte, naquela época, e as universidades começaram a utilizar micro-computadores em seus cursos. A cada ano, novos profissionais aptos a trabalhar com computação gráfica eram lançados no mercado. O que era antes domínio exclusivo de profissionais da engenharia se tornou domínio de designers, publicitários etc. Estes profissionais não precisavam mais do apoio de alguém com habilidades tecnológicas para realizar seu trabalho de produção gráfica; e era exatamente essa uma das minhas principais funções em minha empresa. Com a perda de sentido dessa função, e da razão da existência de uma empresa especializada nesse tipo de serviço fiz mais uma mudança em meu percurso, deixando de atuar como empresário. Tinha então duas opções: voltar a ser funcionário de uma empresa do mercado ou prestar serviço de help desk para terceiros, aproveitando minhas habilidades técnicas desenvolvidas na área de computação. Esta foi minha opção por alguns meses, até aparecer uma oportunidade de trabalho na Mattel do Brasil, que me fascinou por ser uma possibilidade de trabalho em uma fábrica de brinquedos.

Na Mattel trabalhei na área de marketing, mais especificamente, na área de relacionamento com os consumidores - pais e crianças. Entrevi então uma nova possibilidade em minha carreira: o marketing de produtos e serviços para crianças. Uma de minhas principais realizações nessa empresa foi a estruturação do departamento de atendimento ao consumidor, quando tive a oportunidade de aprender a lidar com um público sensível ao consumo, mas complexo. Assuntos como ética, valores, comportamentos e consumo infantil começaram a me angustiar e a me levantar questões que não estavam presentes nas reuniões da Mattel no Brasil. Inclusive a distorção em relação estas questões disseminada pelo senso comum. Passei um pequeno período na filial de El Segundo, na Califórnia, vivência que foi interessante, pois, além de passar um tempo na área de relacionamento com o cliente, também tive a oportunidade de conhecer o processo de concepção dos brinquedos. Trabalhei na Mattel por três anos e depois me transferi para a Telesp Celular. Procurava conciliar meus conhecimentos de marketing e a indústria de tecnologia, já que a Engenharia havia me dado um suporte para a compreensão dos avanços tecnológicos de então. Trabalhei na área de marketing para empresas, que comercializam serviços de telefonia celular para clientes corporativos. Nessa área, desenvolvia ações de comunicação, visando ao bom relacionamento com os já clientes e à aquisição de novos. Após um ano, essa empresa tornou-se, através de uma fusão, a Vivo. Estabeleci-me na área de dados móveis, que desenvolvia serviços de transmissão de dados via wireless. Minha função era gerenciar as ações de comunicação mercadológica para a divulgação de serviços como: Torpedo SMS, MMS, Zap, Wap, EVDO, WLan, redes Wifi, A-GPS etc. Desenvolvia, em conjunto com agências de publicidade, campanhas de propaganda, marketing direto, promoção de vendas, merchandising, assessoria de imprensa, web marketing e eventos. Foram três anos de intensa operacionalização de campanhas que envolviam alto investimento. Na Vivo, foi possível utilizar meu aprendizado de marketing e, ao mesmo tempo, o de tecnologia, tanto que cheguei a ser uma espécie de ponte entre as áreas de publicidade e de tecnologia da empresa. Dito de outra forma, um tipo de intérprete entre os tecnólogos que desenvolviam os serviços e os publicitários que desenvolviam as campanhas.


Pós-graduação Lato-Sensu


            Desde o início de minha experiência na Mattel, resolvi enriquecer meus conhecimentos com uma pós-graduação. Optei, então, por fazer em seqüência três cursos de pós-graduação lato-sensu. O primeiro foi um curso de trezentas e sessenta horas ministrado na cidade de São Paulo pela COPPE-UFRJ, em 1999. Tratava-se de uma pós-graduação em Tecnologia Internet. Estudei codificação em Java script, protocolo TCP-IP, codificação em HTML, estrutura de redes, banco de dados SQL, linguagem Pearl, entre outros temas. O segundo curso foi o de Comunicação de Marketing, na ESPM, de dois anos de duração, em que, finalmente, tive contato com a parte teórica da área de marketing. Logo no primeiro semestre fui aluno de um brilhante professor que se tornou diretor do curso de graduação em Comunicação Social da ESPM, e ele me sugeriu que participasse do processo seletivo de professores da graduação, que constou de análise curricular, entrevista e prova didática. Tornei-me, assim, professor da disciplina Gerência de Comunicação com o Mercado, ministrada aos alunos do quinto período do curso de Administração de Empresas da ESPM, em São Paulo. Este foi o início minha carreira de professor da ESPM que, por alguns anos, andou paralelamente à carreira executiva.

            Um ano após o término da pós-graduação em Comunicação de Marketing, trabalhando ainda na Vivo e lecionando durante três noites por semana, iniciei meu terceiro curso lato-sensu: um MBA em gestão de negócios, ministrado por um convênio entre o ITA de São José dos Campos e a ESPM de São Paulo, um curso técnico-mercadológico. Foram novecentas horas de aula, nas noites de sexta-feira e nos sábados durante o dia todo.

            A primeira pós-graduação em Tecnologia Internet deu-me noções técnicas sobre o protocolo TCP-IP e sobre alguns códigos e linguagens utilizados na Internet, o que me permitiu enxergar esta parte do ciberespaço também de forma técnica, auxiliando-me nas análises em torno do meu atual objeto de estudo, que gravita pela órbita da cibercultura. Tentar abordar a cibercultura do ponto de vista sociológico, filosófico e antropológico com o suporte de um entendimento técnico do ciberespaço me parece importante para o campo da Comunicação. A segunda pós-graduação me forneceu a base teórica para a docência na área de marketing. Finalmente, a terceira ajudou-me a conhecer melhor e mais amplamente a área de Administração de Empresas, estudando finanças, micro-economia, recursos humanos e gestão de operações.

 

De volta à carreira no mercado


            Volto ao ponto em que parei para falar das três pós-graduações que fiz e também de minha carreira como professor, que acontecia paralela à minha atuação no mercado empresarial. Eu estava na Vivo e era o ano de 2003. Após ter tido a experiência na área de comunicação mercadológica de serviços de alta tecnologia wireless, resolvi, mais por razões pessoais do que profissionais, deixar a Vivo e me transferir para uma empresa de pesquisa de mercado chamada Troiano, uma empresa de pesquisa de mercado que atende clientes dos mais variados segmentos, entre eles os que trabalham para consumidores infantis. Atuei como moderador em grupos de discussão (grupos de foco) envolvendo crianças e também adultos, realizei entrevistas e estudos envolvendo relativa abordagem etnográfica com crianças para empresas como Quaker (produto Toddynho), Looney Tunes, Warner, Chamex, SBT, Rede Globo de Televisão, entre outros. Foi um trabalho que me deu importante vivência de pesquisa de campo. Entretanto, pesquisas de mercado, restritas e sem a profundidade que tanto me parecia urgente.

            Deixei a Troiano e abri minha própria empresa de consultoria especializada no comportamento do público infantil como consumidor de produtos e serviços. Tratava-se de um trabalho em que utilizava a experiência direta que tenho com esse público, meu aprendizado em marketing e, principalmente, minhas reflexões sobre as questões que envolvem o marketing para crianças. Trata-se de um trabalho que levou a questionamentos que foram parte de meu objeto de estudo no mestrado, agora uma pesquisa com maior profundidade e densidade.

 

O mestrado

 

            Depois de um curso de Engenharia Eletrônica, dezesseis anos de trabalho na área de marketing, três pós-graduações lato-sensu e sete anos como professor da ESPM, estava preparado para realizar meu curso de mestrado, como desejava já há algum tempo. Decidi então entrar no Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da ESPM. O primeiro passo foi conceber meu projeto de pesquisa, cujo objeto eu pretendia que envolvesse o público com que trabalhava, o infantil. Em um primeiro momento pensei no estudo da publicidade infantil mediada pelo computador, já que um dos pontos que me inquietam é uma eventual distância entre o que é ético para as empresas do mercado, para os pais e para as próprias crianças. O projeto de pesquisa que apresentei ao Programa seguia esta linha. Ele foi considerado pertinente e fui aprovado para iniciar minha participação no processo de seleção.

Ao longo dos primeiros meses de mestrado, com a ajuda de minha orientadora, mudei o tema principal de minha pesquisa. Percebi que estudar uma cantora pop que apresentava como fãs meninas pré-adolescentes e adolescentes contemplaria todas as minhas inquietações e objetivos. Depois de estudar algumas opções, houve a sugestão do nome de Avril Lavigne. Esta canadense era (e ainda é) adorada por meninas da faixa etária que eu pretendia pesquisar, além de ser uma cantora do estilo pop rock, o que tangenciava o objeto de estudo de minha orientadora. Fato muito importante em uma pesquisa de mestrado. Além disso, com esse estudo contemplaria estratégias comunicacionais para a construção e veiculação de um ídolo pop. Como locus da pesquisa elegi o ciberespaço, embora levando em conta a importância de mídias de massa como a TV, o jornal e as revistas para a construção simbólica e a veiculação de um ídolo. A partir deste momento se configurava o objeto de minha pesquisa.

Foram dois anos de pesquisa e de escrita da dissertação, que se mostraram ser uma das mais importantes experiências de minha vida. Pesquisar em profundidade, elaborar análises e reflexões em torno de um objeto de estudo são vivências enriquecedoras, principalmente durante um mestrado quando se tem mais tempo, condições e reclusão que no mercado.


O doutorado

 

            Meses depois de ter defendido publicamente minha dissertação de mestrado, já pensava em meu doutorado. Tomei folego e segui em frente. Naquele momento, entendi que não poderia usar tanto tempo comemorando o título de mestre. Como já sabia que gostaria de enfrentar quatro anos de doutorado, para que deixar para depois? Aproveitei minha dissertação de mestrado recém-defendida e montei meu projeto de doutorado.

            Inicialmente, pensei em continuar estudando as celebridades admiradas pelos jovens, visto que é um tema rico em compreensões de todo universo simbólico que permeia a juventude dos tempos atuais. Entretanto, após um tempo com meus pensamentos, resolvi foca no consumo de jovens no Facebook. Naquele momento, tal site de relacionamentos explodia em uso pelos jovens brasileiros (e do resto do mundo). Ter um perfil neste site parecia ser condição de existência. Assim, montei meu projeto de doutorado pensando em estudar o consumo destes jovens no Facebook, com o objetivo de tentar compreender suas motivações, seus interesses, suas construções e, finalmente, o que os apaixonava tanto neste site.

            Fui aprovado no exame de seleção de doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC – SP. Assim, no segundo semestre de 2008, iniciei meu doutorado na PUC. Foram quatro anos de intensos estudos, aulas interessantes, discussões abrangentes. Em um destes anos, 2011, tive o prazer de estudar por um ano em Londres sob orientação do antropólogo inglês Daniel Miller. Como o foco de minha pesquisa era em consumo a partir de um olhar antropológico, fui estudar ao lado de um especialista internacional em etnografia de consumo.

            Em outubro de 2012, defendi minha tese no prédio da PUC em São Paulo.



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